O Ministério Público do Paraná ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra o prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota da Silva, e o apresentador e ex-secretário estadual Marco Aurélio Ribeiro, o Marco Brasil. E a Justiça não rejeitou. Aceitou.
A decisão foi do juiz substituto Norton Thomé Zardo, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Apucarana. O magistrado analisou a petição e concluiu que a ação reúne os requisitos legais e apresenta elementos mínimos suficientes para indicar, em tese, a prática de improbidade administrativa.

O processo recebeu número oficial: 0005984-98.2026.8.16.0044. Os réus foram citados e agora têm prazo para apresentar defesa.
A ação foi proposta pelo promotor Eduardo Augusto Cabrini, da 4ª Promotoria de Justiça de Apucarana, especializada na proteção ao patrimônio público.
O MP sustenta que a estrutura pública municipal teria sido usada para promover a imagem política de Marco Brasil durante eventos pagos com dinheiro do município. O centro da denúncia é a exibição de um vídeo biográfico em evento público, que, segundo o promotor, não teria sido simples apresentação artística, mas um instrumento de projeção política do apresentador, que mais tarde se candidatou a cargo eletivo.
A acusação vai além do vídeo. O Ministério Público aponta publicações em redes sociais e matérias no site oficial da Prefeitura de Apucarana como reforço da ligação política entre os dois. Para o MP, o conjunto de ações configura, em tese, violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, enquadrada no artigo 11 da Lei de Improbidade Administrativa.
Em resumo: dinheiro público teria sido usado para construir uma imagem política. Isso, se confirmado, é improbidade.
O prefeito Rodolfo Mota, por sua vez, disse receber o processo com naturalidade. Afirmou respeitar a atuação do MP, mas contestou as alegações com firmeza. Segundo ele, a prefeitura não produziu nenhum vídeo para promover Marco Brasil e não houve qualquer ação com fins eleitorais. Lembrou que o apresentador já tem 30 anos de carreira e ocupou o cargo de secretário estadual de Indústria e Comércio. Confirmou a longa amizade com Marco Brasil e garantiu que tudo será esclarecido ao longo do processo.
O caso ainda está longe do fim. Os réus apresentarão defesa, virá a instrução processual e, só então, o juiz decidirá se houve ou não improbidade. Nenhum dos envolvidos foi condenado.
Mas a pergunta que Apucarana vai querer responder é: a amizade entre um prefeito e um apresentador famoso vale mais do que o dinheiro do contribuinte?